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    De.licio.us
    (07/11/2008 - 19:28)

    by camuccelli

    Uma cadela mansa,jamais ataca uma pessoa.Ela lhe deixar se achegar à ela.Até lambe a sua mão.Quando a gente menos espera,ela chega de mansinho,morde o calcanhar da pessoa.

    (Maria tereza está à janela olhando quem passa.Vai dizendo bom dia, um a um).
    TEREZA:-Bom dia seu Jenuino! Como é,colhe ou colhe a roça? Com a geada que tem dado né mesmo!Esse aí planta dois grãos de milho,quer colher duas toneladas.Tem a paciência! Bom dia Dona Aurora! Tá vindo aí! O cata osso inda não chegou.Sabe como é,tem dia que atrasa,tem dia fura pneu no caminho, e nem vem. É Maria Elvira a minha irmão que vem passar o fim de semana aqui comigo.Nesta cidade, o sossego que é,serve de refresco pra que vem.Lá na cidade dela é...a paz do Senhor pastor!Olhe nesta semana não vou poder ajudar na igreja.Vou ter que fazer gosto a Maria Elvira,minha irmã!...a cidade dela...olha lá! Vem ele fumegando feito maria-fumaça.(Ônibus pára diante da venda.Tereza vê a irmã sair do ônibus.Fecha a janela.A irmã bate uma vez,duas vezes.Na terceira vez Tereza abre a porta)
    ELVIRA:-Pensei que não morasse mais aqui.Deus me livre fazer o trajeto todo de volta.Eu não ia suportar.Quanta poeira há nestas estradas.Parece que a gente está dentro de uma maquina de lavar roupa.
    TEREZA:-Meu Deus do céu,é ocê Maria Elvira?Tava na cozinha passando o café.Nossa,como cê tá magrinha! Como esses brancinhos conseguiram carregar estas duas malas da venda até aqui? Devia ter pedido,que seu Juca mandava o menino ajudar.Pra que tanta mala?Pra quem vai ficar só um fim de semana! Deve de tá entupida de roupa.Aqui não tem nada pra ver.Essa cidade é muito quieta.De vez enquanto morre um pra tirar o sossego da gente.Cidade de pouca gente.
    ELVIRA:-Talvez não fique nem uma semana.
    TEREZA:-Deixa estas malas aí.Vem cá pra cozinha.O café tá pronto!Cê deve de tá cançada.Viajou a noite toda. Esse cata osso parece um moinho d'água.Se quiser tem sabão,toalha e água é o que não falta.Vai lavar o rosto e as mãos.(Ela vai até o banheiro,volta com as mãos pingando água)Toma a toalha,enxuga estas mãos.(Pega o pano de chão e vai secando as gotas)Meu ladrilho,meu ladrilho!
    ELVIRA:-Descansa Tereza!Nem ladrilho isto é.Ardósia é que é!
    TEREZA:-Pode me chamar de TÊ,é curtinho.Bonito, e fácil de pronunciar.Todo mundo aqui me chama de Tê.
    ELVIRA:-Eu sempre a chamei deTereza.Não é agora que vou mudar
    TEREZA:-Não custa nada! Vou levar a mala lá pro quarto.Que tem dentro? É chumbo é?Nossa que peso!

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    (12/07/2008 - 07:11)

    ATO I

    by camuccelli

                                      TÊ
     

                                              DE CORPO PRESENTE:

                                                           CENA I

    (Tereza está na janela, vê um menino correndo, grita).
    TEREZA:-Vai pra onde com essa pressa toda? Ouvi,claro que ouvi!
    É o sino tocando pra anunciar a chegada do padre?
    Quem menino?O coronel Deudato da Fonseca o que? Caiu o que? Morto?..
    Espera aí menino,espera aí. Fala mais devagar! Pára de correr e fala menino!
    ELVIRA:-Quem caiu morto Tereza?
    TEREZA:-Tô tão acostumada com quem me chama de
    Tê,que até me esqueço que me chamo Tereza.O coronel Deudato da
    fonseca caiu morto!Tava dando milho pra galinhas.Caiu com a língua de
    fora.Morreu!O homem tá no inferno.Nunca fez nada de bom pra esta cidade.
    E o padre já começa com um defunto pra encomendar.
    Já vai....Olha lá o
    cata osso já chegou.É o padre descendo com uma mala na mão.É
    moço!Muito moço o coitado.Tá aproximando,tá aproximando! Boa tarde seu
    padre! Fez boa viagem?Chega sempre atrasado seu padre,quando não quebra
    no caminho,atrasa.(Dirigindo-se a Elvira)Só abanou a cabeça.Padre
    metido! É o que eu digo,salvos aqui,só nós os Batista.O resto,Deus tenha
    piedade,estão é no inferno.Mas ainda há tempo,se se converter de todos
    os seus pecados.
    ELVIRA:-Vou tomar um banho,me vestir,sair por aí pra ver,e ouvir as novidades.E conhecer o tal padre.
    TEREZA:-Trocar de roupa pra que? Esta ainda tá limpinha!É casada,mas não honra o nome do marido.Basta sentir cheiro de homens que já se arreganha toda.Essa aí não consegue se manter de pernas fechada.
    ELVIRA:--(Chega à porta enrolada numa toalha) Ouvi viu! Com a mesma medida que mede,será medida.A boca fala do que está cheio o coração.
    TEREZA:--Eu hein! Agora essa!
                                                   

       

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    (12/07/2008 - 07:07)

    CENA II

    by camuccelli

    TEREZA: Será que o homem ja foi desta pra melh...no caso dele é pra pior mesmo?
    ELVIRA:-Vai lá ver.
    TEREZA:-Deus me livre!Sangue de jesus tem poder!Naquele antro de perdição?
    ELVIRA:-Não entendo esses vocês.Jesus não disse: amar ao próximo com a ti
    mesmo?Amar ao próximo Maria tereza,é querer tudo aquilo que
    queremos para nós.É sentir por ele o mesmo que sentimos por nós.
    É dar a ele, aquilo que almejamos para nós.Como a ti mesmo.É
    como se o próximo fosse parte de ti.Se ama alguém assim.
    Não vai querer mal à ele.Aquilo que não quer para si,não quer
    para ele,o seu próximo.Se você não ama ao seu irmão que ver.
    Não pode amar a Deus que não vê.Lembra da parábola do bom
    samaritano?O padre, talvez! Talvez,tá! Seja o tal samaritano.Mas,o
    coração do homem é enganoso.Ele pode está querendo limpar
    a sujeira que fez quando chegou. A recusa,a missa em latim.O desconforto.E é um ato de amor sim.Quem assim aje,
    cumpre os dois mandamentos:amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo
    como a ti mesmo.Cumprindo as profecias e os profetas.
    TEREZA:-O passarinho coitado!Esqueci o coitado!Sabia qua já tava na hora,
    mas,nem dei conta do atraso.Vai acabar morrendo se não me
    apressar.Vou ver,já volto!Fiz um mingauzinho p'rocê besta.
    Tá quentinho já volto tá!(Ela sai,demora um pouco e volta)
    Agasalhei o bichinho.Se a gente não cuida,morre.(Vai até a
    cozinha.Volta com um prato de mingau)Fiz p'rocê! Coma enquanto tá
    quentinho.Hoje é dia de frio né!Tem dia que venta tanto.
    se chove,Deus me livre! A rua fica que é lama só Ainda bem que não me descuido.(Elvira come o mingau,sente uma sonolência).
    Quer dizer então que amanhã bem cedo embarca.O cata osso sai
    muito cedo.Tem de descansar.Amanhã será dia de folga.tá é com
    sono.Do jeito que anda.Tinha mesmo que ficar.Vai dormir lá na cama.
    Vou lhe ajudar.Magrinha,mas é pesada.Depois levo a sua bolsa.Numa cidade nanica feito uma cabaça,é preciso carregar bolsa?Depois,quando for embora,vai ficar todo mundo falando.

     



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    (12/07/2008 - 07:04)

    ATO II

    by camuccelli

                                                                                                REVELAÇÃO 20:3

    TEREZA:-Vai sai? Trocou de roupa.Essa menina pensa que aqui é cidade grande.
    Troca de roupa,como quem troca o perfume.
    ELVIRA:-É pra ser apreciada mesmo.De proposito!Gosto de sair limpinha.
    (Elvira sai,Tereza vai pra janela)
    TEREZA:-Vê se não volta tarde.Não vou ficar esperando, até tarde da noite.
    como vai comadre Ana?Que foi aquilo comadre?Gente gritando feito cachorros brigando.O Juventino é? Que fez o Juventino desta vez?Foi esfaqueado? por quem comadre?Deus
    me livre.Um dia isto tinha que acontecer.O homem gostava de fazer os outros beberem a força.Se não bebia,ele esfaqueava.Gostava de bater na cara dos bestas daqui.E nem morar aqui mora.Ele pega o seu cavalo e vem pra cá berber,raparigar e insultar os besta desta cidade.Quando o coranel era vivo, peitava o valente.Agora com o coronel morto.Ainda bem que apareceu um de coragem.Ou...Agora é orar pro cão morrer,senão coitado do camarada...quem foi mesmo comadre Ana?Ninguém viu?O povo tá é com medo de delatar o bem feitor. Ouvi! E aquilo era pedindo água? Deus me livre,vou lá não! Agora é um morto atrás do outro.O cemitério não vai mais cabê tanta gente.Duma hora pra outra,né comadre? E ninguém sabe como isto acaba. Cadê os homens que não acode o malvado?Já vai comadre?Vai com Deus! Dê lembraças minha à minha afilhada. Nem na hora da morte o coitado tem quem o socorra! Tá lá morrendo feito onça ferida.Numa hora desta nem os parentes aparecem.É na morte que os parentes são os melhores.Choram,elogiam,contam metiras.A gente tem que fazer pro sujeito,enquanto ainda vive.Depois de morto o defunto não precisa de mais nada.Só de terra.Senão fica apodrecendo e fedendo pelos cantos.Se tem Jesus,tem esperança de uma outra vida melhor.É descançar nos braços do pai que é bom.O resto é restolho.


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    (12/07/2008 - 06:58)

    CENA I

    by camuccelli

           TEREZA: Acordou disposta hoje?Está aí olhando pro céu com cara de quem chupou uva.
    ELVIRA:-Estou sempre com disposisão! Eu não diria uva Tereza!
    TEREZA:-Ontem parecia com o diabo
    no corpo.Aquela saliência toda.
    ELVIRA:-Hoje não quero discutir nada.Cada um tem o seu dia de reflexão.É Deus por nós,e o resto que se assuma.Quero hoje é aproveitar.Amanhã estrei bem longe disto tudo.Pelo menos levo alguma coisa boa pra me lembrar.Estou enojada com esse ar pesado,assoprando defuntos.
    TEREZA:-Meu Deus,já é amanhã!O tempo passou como o vento. Hoje noite vai visitar a minha igreja né!
    ELVIRA:-De jeito nenhum! Deixei a noite pra visitar a prima Ritinha.Amanhã sacudo a poeira.Saiu bem cedo!
    TEREZA:-E a promessa? Prometeste!
    ELVIRA:-É que aconteceu tanta coisa,numa só semana que não deu tempo nem pra pensar.Amanhã viajo mesmo.
    TEREZA:-Queria tanto apresentá-la ao meu pastor.Falei de ti com tanta alegria.
    ELVIRA:-Pois é! Da próxima vez eu visito a sua tão aclamada igreja.Desta vez não dá.Tentei Tereza,mas não se pode fazer tudo ao mesmo tempo.Ou abro o sorriso,ou me desaguo em lágrimas.Uma coisa de cada vez,não mais.
    TEREZA:-Que se é de fazer.Mas hoje almoça comigo?Desde que chegou só fica
    pra lá e pra cá.Comeu aqui só no dia que chegou
    ELVIRA:-Fica tudo mundo querendo que almoço na casa deles.Sou uma só gente!
    Joãozinho me espera lá hoje.
    TEREZA:-Joãozinho!!!A mulher dele sabe que andanvam amassando mato?
    ELVIRA:-Coisas do passado.A gente esquece.Remexer é sofre de novo.
    TEREZA:-Dizem que a mulher nunca esquece a quele que foi o seu primeiro homem.
    ELVIRA:-Por isso não foi ao enterro do coronel?Quem lhe disse que Joãozinho
    foi o primeiro na minha vida?
    TEREZA:-A gente imagina.Vivia os dois agarrados...as suas insinuações não me supreende...Se não foi ele,quem foi?
    ELVIRA:-Por hoje chega de recordações.Não foi o mesmo que pôs uma criança na sua barriga?Se não é a mamãe,Deus sabe lá o seria de ti.
    TEREZA:-Vou começar o almoço.Vou começar o almoço! Já que vai comer por lá mesmo?
    ELVIRA:-E a sua a curiosidade? Fica sem resposta?
    TEREZA:-Panela que muitos mexem,queima,ou fica salgada.
    ELVIRA:-Então até!(Ela sai.Tereza corre pra janela)
    TEREZA:-Bom dia dona Maria das coves! Que noite hein!Acabou de sair.Só fica na rua, de casa em casa.Faço tudo pra mantê-la aqui comigo, ela parece não gostar da minha casa.Faço o que posso.,Obrigar não posso. E o tal do homem,morreu.Não tenho ouvido mais gritos.Como
    assim dona Maria? O padre levou lá pra igreja?Esse padre é louco!
    Além de rezar missa em latim,entope a igreja de escarnecedores.Adoredores do diabo.Sem contar as
    donzelas que deixou embarrigadas por ai.Eu sei dona maria.
    Devemos amar o próximo como a nós mesmo.Tá,tá escrito! Mas,
    Esse só pode ser próximo do cão.Me admira a senhora com uma
    conversa desta.Porque não levou pra casa da senhora então?
    já tá no inferno! A senhora não lê a Biblia né! É rude de tudo.Leio
    sim.Pelo menos sei ajuntar as letras.Dá pra ler sim.A senhora nem
    isto sabe.Se pelo menos soubesse escrever o nome. Vai cuidar das suas couves! Ao ínves de ficar cuidando da vida alheia,não vai tirar os piolhos das suas couves.Com licênça dona Maria das coves.(Fecha a jenela)Gente iguinorante! Onde jé se viu colocar um moribundo na companhia da gente.É louco de pedra
    esse padre.Pra quem reza missa em latim.Pode se esparar tudo.(Ela abre a
    janela novamente) Hei menino! menino,venha cá! Vê em que casa Elvira está.Na volta,passa na igreja,pergunte o padre como o homem está.Ora que homem?
    Juventino,o que foi esfaqueado na venda.Quando voltar lhe dou um ovo,se a galinha botar.Tá bem dou dois! Vá logo,vai!...A paz do senhor Comadre Ana.Pois é! Ainda nem bem o padre Eusebiu é plantado,já se prepara festa pro padre novato.Se bem que o padre Eusebiu já passava o dia pulgando os pecados da carne.Aí o coranel morre.Põe água no fogo,a festa acaba.É tanta enchente em tão poucos dias.Não há terra que suporte.É comadre,a gente tá precisando orar mais pra este lugar.O diabo anda em derredor.(A dona Ana sai),ô comadre!..Me deixou falando sozinha!
     

     

     

     


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    (12/07/2008 - 06:56)

    CENA II

    by camuccelli

    TEREZA: Será que o homem ja foi desta pra melh...no caso dele é pra pior mesmo?
    ELVIRA:-Vai lá ver.
    TEREZA:-Deus me livre!Sangue de jesus tem poder!Naquele antro de perdição?
    ELVIRA:-Não entendo esses vocês.Jesus não disse: amar ao próximo com a ti
    mesmo?Amar ao próximo Maria tereza,é querer tudo aquilo que
    queremos para nós.É sentir por ele o mesmo que sentimos por nós.
    É dar a ele, aquilo que almejamos para nós.Como a ti mesmo.É
    como se o próximo fosse parte de ti.Se ama alguém assim.
    Não vai querer mal à ele.Aquilo que não quer para si,não quer
    para ele,o seu próximo.Se você não ama ao seu irmão que ver.
    Não pode amar a Deus que não vê.Lembra da parábola do bom
    samaritano?O padre, talvez! Talvez,tá! Seja o tal samaritano.Mas,o
    coração do homem é enganoso.Ele pode está querendo limpar
    a sujeira que fez quando chegou. A recusa,a missa em latim.O desconforto.E é um ato de amor sim.Quem assim aje,
    cumpre os dois mandamentos:amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo
    como a ti mesmo.Cumprindo as profecias e os profetas.
    TEREZA:-O passarinho coitado!Esqueci o coitado!Sabia qua já tava na hora,
    mas,nem dei conta do atraso.Vai acabar morrendo se não me
    apressar.Vou ver,já volto!Fiz um mingauzinho p'rocê besta.
    Tá quentinho já volto tá!(Ela sai,demora um pouco e volta)
    Agasalhei o bichinho.Se a gente não cuida,morre.(Vai até a
    cozinha.Volta com um prato de mingau)Fiz p'rocê! Coma enquanto tá
    quentinho.Hoje é dia de frio né!Tem dia que venta tanto.
    se chove,Deus me livre! A rua fica que é lama só Ainda bem que não me descuido.(Elvira come o mingau,sente uma sonolência).
    Quer dizer então que amanhã bem cedo embarca.O cata osso sai
    muito cedo.Tem de descansar.Amanhã será dia de folga.tá é com
    sono.Do jeito que anda.Tinha mesmo que ficar.Vai dormir lá na cama.
    Vou lhe ajudar.Magrinha,mas é pesada.Depois levo a sua bolsa.Numa cidade nanica feito uma cabaça,é preciso carregar bolsa?Depois,quando for embora,vai ficar todo mundo falando.

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    (12/07/2008 - 06:54)

    ATO III

    by camuccelli

     

                                                                                                   A CADELA.

    TEREZA:-(Abre a janela) Bom dia sol! Bom dia! (Vai passando dona Ana)Bom dia comadre Ana! Não parece que tudo mudou de repente? As borboletas estão mudando de cor. Ih,já deve tá beijando o marido!...Maria Elvira ainda não tem filho.Saiu cedinho,cedinho.A senhora sabe, quando não atrasa,o cata osso,sai no horário.Coitadinha da Elvira,saiu cochilando.Se né eu que acordo cedo,tinha perdido o cata osso.E o homem comadre? Até que enfim hein!Já enterrou também? Nem velório teve?Aquele já tava morto mesmo.Só faltava cair.Sofreu o coitado.Pulgou bem os pecados que tinha.Sabe que Elvira tinha razão!Alguém precisava ajudar aquele onça.Não ficava bem ali no canto gritando feito cão ferido.Pelo menos lá na igreja,os gritos foram abafados.É comadre,se não é por Jesus,não sei o que seria de mim.Pois é! Já tô acostumada a vida sozinha.Fazer falta,vai sim.A gente acostuma com tudo né!.Com a morte é que não há meio de se acostumar.Vou levando conforme Deus quer.Vou ter menos pra fazer.Ela disse que volta um dia desses.Disse pras pessoas da cidade é.Pra mim Maria Elvira nunca diz nada mesmo.Ela não saía das casas dos outros.Pra eles,a saudade vai ser maior.Aqui ela mal comia comadre.Usou aminha casa feito pensão mesmo,mas só pra dormir..Entrava e saía.É comadre! Parente,a gente tem de aturar não é!Mas, ela se foi.Agora a vida é outra.O rio continua no seu curso natural.Né passarinho verde não comadre.Não sei o que deu em mim.Levantei com vontade de varrer a casa.Lavar as roupas de cama.Dar bom dia a tudo.É por alívio não.Aqui no fundo do coração,tem um pontinho de saudade.Então tá comadre!A paz do senhor pra senhora também.Ê seu Juca! A muleta continha em baixo do braço!Se tivesse ido à igreja,estava por ai saltando feito cabrito."Eis que estou à porta,e bato,se alguém abrir a porta,entro".Fui eu não. Foi Jesus que disse seu Juca.As pessoas esperar a doença cair pra depois buscar o médico não é mesmo?Pro senhor também.A gente dá o remédio,eles não tomam.Depois quer ver o milagre acontecer.Não há causa sem êfeito.Pra que o milagre aconteça,a gente tem de fazer a nossa parte.Não vai à igreja,quer que a gente ore é de longe.Pois bem! Essa gente não aprende nada.

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    (12/07/2008 - 06:48)

    CENA I

    by camuccelli

     TEREZA-Este quarto,é o que tem mais conforto.Nem falo da cama larga.                                     
    Do banheiro.Mas, do conforto e do silêncio.Aqui nada se ouve.Quando
    a gente quer comer.É só puxar a cordinha ali,vai dar diretamente
    na cozinha.Pra buscar,é a mesma coisa,os pratos sobem parede
    acima.
    ELVIRA:-Tô com corpo todo moído! Que horas são Tereza?
    TEREZA:Isto agora não importa. Aqui em baixo, o tempo é sem valor.
    ELVIRA:-Marquei de almoçar com a dona Maria das coves.
    A mulher vai ficar uma fera, se a deixo esperando.Amanhã,adeus descanso.
    TEREZA:-Tem uma coisa que ocê precisa ficar sabendo.(Ela interronpe)
    ELVIRA:-Dormi feito pedra...E o que é?
    TEREZA:-Não sabe que todo mundo aqui,já dá a sua sumida,como quem foi embora?
    ELVIRA:-Minha o que?
    TEREZA:-Num foi ocê quem pegou o cata osso,a três dias atrás?Num foi ocê quem se despediu de tomundo e foi embora?
    ELVIRA:-Tá louca é? Como fui embora,se acordo aqui.De camisola,meio tonta,e...Esse corpo todo moído,parecendo que levei uma surra de vara verde.
    TEREZA:-É!....Precisamos acertar as coisas mesmo.De agora em diante,vou cuidar d'ocê como quem cuida d'uma florzinha delicada,e frágil.Ocê vai se render a Jesus.Ocê é a única pessoa que tenho na família.A minha salvação,é tua salvação.Não posso ir à Deus deixando a última ovelhinha pra trás.E quando aceitar ao senhor jesus como o seu único salvador.Aí cê vai comigo à igreja e será a maior satisfação.Uma alma será salva,e haverá festa no céu.Sabia que pra cada alma salva há uma festa no céu?
    Apresento-a ao pastor.Ocê aceita Jesus como seu
    único salvador.Só isso!Tem nada demais?E é pro seu bem que faço assim.Nós vamos morar no céu Maria Elvira.Vamos nos encontrar com
    Jesus nos altos,juntas.Cê anda muito magrinha.Vou
    lhe entupir de comida,até engordar.Vai ficar como eu.Aí,só aí, lhe levo
    à igreja.Não vou querer tudo mundo rindo na minha cara,dizendo que lhe matei de fome? Não,a gente vai ficar juntas minha irmã,juntas!
    ELVIRA:-Fico imaginado a cara que a mamãe faria,se estivesse aqui,e ouvisse o que acabo de ouvir.É de brincadeira,não é?Vou sair,tem uma pessoa que muito estimo, a minha espera.
    TEREZA:-Não tem ninguém a lhe esperar.Cê tá na sua casa lá da cidade grande.Numa hora dessa, está beijando, e cozinhando para o seu marido.Se é que ocê faz comida pra ele.
    Aqui todo mundo sabe a vida de todo mundo.Era uma cidade tranqüila,até ocê chegar.Ocê precisar fazer jejum,e oração pra tirar o diabo do corpo.Sua vinda pra cá trouxe morte à esta cidade.A primeira vitíma foi o Padre Eusebiu,o coronel Deudato.Depois o Juventino.Foi só descer do cata osso,pra os ventos da morte descer contigo.
    É preciso Maria Elvira...é preciso tirar o diabo de dentro do seu
    coração.Cabeça vazia,é oficina de satanas.Aqui em baixo,vai
    poder se curar.Vamos lavar seus pecados no sangue de Jesus.
    Será outra,tuas vestes serão lavadas no sangue de Jesus.
    A honra desta família será restituida.A moral e os bons costumes.
    ELVIRA:-Que maluquice está me dizendo?Recuso-me a crer nisto! Não estou aqui pra ouvir tamanha asneira.Não me obrigue a engrossar.
    TEREZA:-Magrinha do jeito que é,não vou precisar fazer muita força.
    ELVIRA:-Vai me bater?
    TEREZA:-Se precisar,vou.Deu-lhe um pescoção!
    ELVIRA:-Sai da porta Tê.Por favor,me deixa passar!
    TEREZA:-Agora me chama de Tê né.No dia que pedi,zombou de mim.Tem mais essa de Tê não.Nem marmeda tem mais.Agora é a hora da conversão.É Jesus que está no comando agora.
    Deus é de prova que faço isto pro seu bem,nada mais.Devia é me agradecer por pensar na sua saúde,e na sua salvação.nem nisto cê pensa.Estou esvaziado a sua cova.Nossos corpos serão
    transformados.Outros morreram a nossa morte.Nós ressucitaremos em Cristo Jesus.Querida irmã.Tenha uma boa noite!Coma o mingau enquan...já esfriou!Agarramos a conversar.Esqueci de olhar o mingau.Vou preparar outro.
    ELVIRA:-Precisa não.Não vou comer até que me deixe sair.
    TEREZA:-Bom! É bom,jejum santifica e purifica.Vou trazer assim mesmo.
    (Tereza sai,tranca a porta por fora)
    ELVIRA:--Ela põe alguma coisa nessa bendito mingau!É só eu comer pra me sentir,fraca e com sono.Tereza,foi sempre muito esquisita.Fazia coisas errada,e negava quando a mãe perguntava.Tudo mundo sabia que era ela,mas negava. Essa gente acha que Jesus é um pedaço de torta.Uma fatia de mortandela.Um brinquedo que a gente oferece e a pessoa aceita.Aceitar Jesus! Não é Jesus quem devia aceitar a gente? É a pessoa que deve dar o primeiro passo,e é de livre escolha.

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    (10/07/2008 - 20:17)

    CENA II

    by camuccelli

    (No espaço do quarto,tem uma cama bem larga.Perto da porta de entrada,há uma porta que vai dar no banheiro.Na parede perto da porta,há uma minúscula janela,de onde se ouve o barulho de água.Maria Elvira lê uma bíblia assentada na cama)

    ELVIRA:--Estou sem ação.Se já tem esses dias todos que a doida da Tereza diz,alguma coisa colocou na minha comida.É no mingau!...Foi isto que comi naquele dia.(Ela fala imitando a Tereza) Fiz p'rocê besta! Naquela calma! Quem não comeria? Três semanas,é demais!
    Não devo dar atenção as coisa ditas por ela.Deitei-me ontem na cama.Lembro-me ter sido levada por alguém até a cama.Foi ontem,não é uma semana como diz.Ainda estou com a mesma roupa.Se dormisse uma semana inteira,teria morrido.Esta camisola estaria um fedor só.Não tem cabimento! Mas a prisão?Manter-me presa aqui só pra eu aceitar a Jesus como o meu único salvador,é ignorância dela.O meu marido não há de estranhar,sabendo que estou bem aqui.Bem entre aspas! Não sei o que pode fazer uma pessoa alucinada.Ali tem o banheiro.Na parede por onde desce a comida é muito apertado.Naquela janelinha,mesmo se retirasse a grade,não passaria o meu corpo..o jeito é esperar pra ver até onde vai a maluquice dela.Um momento Maria Elvira! As esquisitices que ela têm?Quando lhe lembrei da perda do filho...do amai ao próximo.Ela ficou estranha,começou a falar de modo estranho.Tenho que me lembrar de alguma coisa que a deixe estranha.Parece ficar fora de si quando ouvi o que não quer ouvir.É a minha deixa.Tenho de me lembrar.Mas do que? Aqui a gente se escondia pra contar os nossos segredinhos. Ela tinha sempre mais à contar do que eu.Mamãe ficava uma fera quando descia e via nós duas aqui,brincado e rindo.Aqui era o quarto do nosso esconderijo.Não há como sair,senão pela porta que só abri do lado de fora.Vou tentar na conversa,se não der,tento me lembrar de algo determinante.Tenho que sair daqui.O quanto continua do mesmo jeito.Ela limpa tudo direitinho,até o banheiro. Se esta gente...eu já tinha me despedido de todo mundo! Tudo planejado.Os minutos,as horas, e até as despedidas.De besta Tereza não tem nada.Como me lembrar de algo arrebatador? ( Ela ouve achave torcendo na fechadura da porta)

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    (09/07/2008 - 21:06)

    CENA III

    by camuccelli

    TEREZA:-Tá mais mansa é? Tem uma semana que tento entrar aqui, ocê num deixa.O jeito, foi mandar a comida e esperar.
    Quanta coisa suja.Tem uma pia ali no banheiro.
    Podia pelo menos lavar os copos.
    ELVIRA:-Desculpe-me! Tenho tido muito pouco tempo.A leitura me arrodia o tempo todo.
    TEREZA:-Pelo menos isto clarea as idéias.Imagina na sua casa como é.A cozinha deve ser um lixão só.Baratas também descem aqui.Sem contar os ratos do tamanho de um tanque de guerra.
    ELVIRA:- Tem aqui(Abri a bíblia e lê),Daniel na cova dos leões.O rei ficou muito preocupado com a prisão de Daniel na cova dos leões.Até,até hein! Rezou à Deus para livra-lo das garras dos leões.
    TEREZA:-(Arranca a bíblia das mãos dela) Em que canto tá isto aqui?Mentirosa! Pra nós é orar,não rezar.Vai aprendendo.
    (Vai folheando a bíblia)
    ELVIRA:-Aprendeu a ler é?Dizem que depois de velha, arara não aprende língua.
    TEREZA:-Sei ler sim.Sei muito bem ajuntar as letras.
    ELVIRA:-De cabeça pra baixo?
    TEREZA:-(Ela vira a bíblia)Está cega é? Aonde tá de cabeça pra baixo aqui?Tem catarata nos olhos,só pode.
    ELVIRA:-Joãozinho me contou o que fazia antes de virar evangélica.
    Já foi até na cidade.Lá aonde eu moro! Um dia passou por aqui um jovem numa moto.Você empirucou na garupa dele e foi lá pra cidade. Sem contar que era conhecida como a afilhada do coronel.Sabe muito bem o que significa afilhada do coronel.A
    pretendida,a escolhida do coronel.E na igreja,ninguém conhece melhor o funcionamento dela do que a Tereza.Era beata sim! aqui minha irmã,quase todos os homens passou por debaixo da sua saia.Agora é o que é.
    TEREZA:-(Senta na cama) Deixa eu catar piolho na sua cabeça.Credo,que cabelo crespo.Tem de ser penteado todo dia,descuidada! Vou lhe contar um segredo.Mas,que fique só entre nós duas.Nem a mãe,nem o pai pode saber tá! Ontem,me vesti...aquela saia que a mãe não gosta que visto.Pus a calcinha vermelha,fui à missa.Sentei bem no banco da frente.Na hora que o padre subiu a hóstia abri as pernas mostrando a calcinha.Quase que o padre dexou,o cálice cair.No fim da missa,me disse:-Quero ver a senhorita na sácristia.Fui,ele estava só de batina.Pegou a minha mão,enfiou-a em baixo da sua batina.Estava sem nada por baixo.A minha mão tocou naquilo...naquilo,cê sabe! Sabe como é o padre Eusebio.Aqui todo mundo sabe tudo,mas ninguém diz nada.Naquela hora, uma beata entrou pra pegar umas coisas.Não viu nada.Também nada perguntou,ou fingiu não ver.O resto,cê pode imaginar.Segredo só nosso.(Ela se levanta) Não conta nada pra ninguém. Neste quarto,a gente pode esconder as coisas.
    Nem da rua,nem de lugar nenhum,podem ver aqui.Embaixo desta janela.É só o rio que passa.Me espere aí,vou lavar o rosto.
    Não sai,a mãe fez a comida que ocê gosta.
    (Entra no banheiro,com isto Elvira aproveita e sai de fininho.Descalço só de camisola

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    (09/07/2008 - 20:55)

    CENA IV

    by camuccelli

    TEREZA:-Faz hoje oito dias que Maria Elvira foi embora.Nem um recado.Podia ter telefonado pelo menos, pra agradecer a hospedagem.Eu não tenho telefone.Mas,os vizinhos tem.Eles me falam se ela telefonar.Uma ingrata.Sai calada e nem um bilhete manda.(Ouve-se barulho na rua,uma gritaria) Que zueira é essa na minha porta?(Abre a janela).Acabei de pensar n'ocê Maria Elvira.Que faz ai dentro deste carro de polícia menina?Que vergonha meu Deus.Gente da minha família nunca entrou num carro de polícia.Tinha de ser ocê né Maria Elvira!Que fez ela comadre?Buscar a mim? Se tô quieta aqui cuidando dos meus afazeres comadre!Buscar a mim pra que? Ah,pra testemunhar contra ela!É mentira dela.Fala isso de dentro do carro!Sai daí Maria Elvira.Vem dizer pra mim o que a comadre está dizendo.Protegida de que? Não pode por que? Tratei esta malcriada com pão- de- lô.Me trás a polícia pra agradecer.Depois de oito dias,né
    Maria Elvira! Vem cá,vem provar na minha cara que lhe prendi,vem!Essa menina saiu corrida daqui,deixou todas as suas malas entupidas de roupa.Deve está nua né Maria Elvira,deixou tudo aqui! Abro não! A minha porta só abro pra quem é enviado de Cristo.Ante- cristo não é.Maria Elvira!!!Aliou-se ao diabo!Quem é a senhora dona Maria das Coves?Uma ninguém. Quem disse isto pra senhora?Aqui não tem quarto secreto.Que quarto secreto,num cochixó de casa desta?A senhora anda é variando.Vai plantar babatata.Rende mais,e não tem piolho.A senhora não limpa os piolho das couves que vende?Deixa a Maria Elvira falar pra mim gente.Ficou muda é?Pode falar sim.Tá na minha porta.Quem é esta mulher ai vestida de homem me olhando com os braços cruzados?Não gosto de mulher não.Sou ovelha de cristo.Ele é o meu pastor,nada me faltará.Esperando quem chegar?Chegar pra quê?Quero ver alguém me arrancar daqui.Tô no meu direito.A casa é minha. Tem madato do juiz,tem?Nenhum de vocês ai têm provas contra mim.Ora Maria Elvira! Maria Elvira é doida.Cês vão acreditar na palavra de uma lunática?Por que não sai deste carro? E o medo de me encarar.Vem falar comigo cara-a cara.Já sei,tá com vergonha.Saiu fugida gente.Agora chora aí no carro dos outros.Êh,seu Juca até o senhor né?Ao invés de ir trabalhar pra dar de comer pra reca de filhos que tem,fica aí fazendo couro pra essa gente que não tem o que fazer.Deus aleijou o senhor na perna errada.O senhor entendeu!A paz do senhor pastor! Pro senhor ver,até pro homem de Deus sobrou.É Maria Elvira! Fugiu da minha casa,dixando todas as suas malas.Agora estão ai querendo arrombar a minha porta.Né isto não pastor!O que a dona Maria das coves diz é mentira.Imagina se eu ia prender a minha própria irmã.Se ela tiver um mandado pra entrar na minha casa,eu deixo entrar.Mulher na polícia....vai procurar roupa pra lavar.Lugar de mulher é cuidando do marido e dos filhos.Tá,se é só o senhor pastor,eu deixo entrar.Vou mostrar pro senhor as malas dela.Aí o senhor vê se tenho razão ou não.Pode verificar se tem quarto secreto,como estão falando.(Ao ínves do pastor, entra a polícial)
    POLÍCIAL:-A senhora está presa dona Maria Tereza da Silva.Por provocar as pessoas.Por causar pânico, por resistir a prisão.Por cárcere privado,seqüestro calúnia e defamação.Por resistir a prisão.
    TEREZA:-Cadê o pastor? E a Maria Elvira,vai continuar dentro daquele carro é?(Vai à janela) Êh Maria Elvira,se a mãe estivesse viva,ia ver uma coisa.Judas,se comigo é assim,imagina com os outros!(Volta à policial) Esses cães raivosos.Essa igrata!
    POLICIAL:-A senhora tem direito a um advogado.Se não tiver,o estado lhe consederá um.Tem o direito de ficar calada.Tudo aquilo que disser,será usado contra a senhora no tribunal.
    TEREZA:-Mas,tudo que usar contra mim,em juizo eu a condenarei.
    ( A pocilial sai levando Maria Tereza pelo braço).

                                    FIM

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    (15/04/2008 - 15:10)

    SOLDO E SOMBRA

    by camuccelli

         

                        CENA 1

                               CENÁRIO:

     Uma venda,com tudo aquilo que tem numa venda.Carne de pendurada.utensílios domésticos.
    Em geral:tudo.O texto tem três(3) personagens.E são interpretados por homens.
    O senhor Samir Al Alsair,está abrindo as portas do estabelecimento,quando um jovem vem fazer compras
    Jovem: - Bom Dia seu Samir!
    SAMIR: - Al Alsair! Al Alsair!
    Jovem: - O senhor tem bucho de bode,seu Al Alsair?
    SAMIR: - Tem!Vamos ter festa hoje é? Bucho de bode, é  chama de festa.
    JOVEM: - Sei lá! É a mãe quem quer.(Ele apanha o jornal,põe o bucho seco.O jovem paga e leva.Dona ASER entra no estabeleci mento com uma sacola nas mãos)
    SAMIR: - É de festa mesmo! Nem bem está aberto,já tem o entra-e-sai.
    D.ASER: - Seu Samir.Lembra do terreno que eu tinha pra venda?
    SAMIR: - Al Alsair dona aser! Me lembro! Que deu nele?
    D.ASER: - A custa de muita espera vendi.
    SAMIR: - Fez bem! É tudo tão demorado nos dia de hoje! O dinheirinho vem  numa boa hora.
    D.ASER: - É por isso mesmo.Pensei comigo pelo caminho.Com esse dinheiro todo guardado em casa. Casa de mulher  
                    sozinha seu alsair .Aí vem gente do mal....O senhor sabe,o mal não anda mais à cavalo.O senhor bem que
                    podia guardar pra mim.
    SAMIR: -  O que nós puder fazer,nós faz Dona Aser. 
    D.ASER: - ( Retirando um pacote da sacola) Aqui está! 
    SAMIR: - Isto Daqui  é o dinheirinho da senhora? Alá!!!(Ela assente com a cabeça que sim) Mas,...mas!
    D.ASER: - Foi o que  moço que comprou me deu.Eu não posso andar com isto por ai,posso?(D.Aser se depende e sai).
    SAMIR: - Alá! nós vai fazer o que agora?(Sai,corre até os cômodos de dentro.Guarda o dinheiro.Volta) Só nós  sabe aonde está,de tão bem guardado que ficou.(Mal acabou de dizer.Dos jovens adentra a venda.Um Pará perto da porta.O outro vai até o balcão conversando).
    Pessoa 1: -Por um acaso tem o senhor ai trigo para fazer kibe?
    SAMIR: - Tem não senhor,mas,temos...( O jovem não o deixa completar)
    Pessoa 1: - E água de flor de laranjeira,ou hortelã?
    SAMIR: - É do mesmo jeito do trigo.As pessoas aqui do bairro não usa ingredientes do terra da gente. Se nós
                  compra,nós tem de jogar tudo fora.Fica tudo ai encalhado.
    Pessoa 1: - Não te disse que esse árabe diaraque não vendia estas coisa? (O jovem que ficou encostado na porta.Fecha a porta,retira da cinta a arma)
    Pessoa 2 : - Bala pra arma o senhor tem, não tem?
     

     

     

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    (15/04/2008 - 15:07)

    CENA 2

    by camuccelli

    No cenário há agora um corredor.No fundo do corredor há uma porta entre-aberta.Luc e luis entram conversando e rindo muito.

    Luc: - ...e aquela da velha...aquilo é de matar!
    luiz: - Parecia que não ia mais acabar! O outro rolava no chão feito porco,de tanto rir.
    Lúcio: - (vê a porta entre-aberta,mas ignora).Sujeito sujo!...A gente?...quase comecei a contar aquele causo antigo.
    luiz: - Viu a cara deles quando a gente dizia:...estamos aqui dando as nossas escapadas costumeiras!
    Lúcio: - ( Tinha observado mais atenta mente a porta,enquanto o Luís falava) Deixamos a porta aberta quando saímos?
    luiz: - Não a gente tranca sempre.( Ele olha,vê a porta entre-aberta.Sai correndo,entra depois volta gritando. A porta do portal....da entrada...do precioso.
    LÚCIO: - Calma! (Segura-o pelo braço) Respira!...Conta em decrescente mentalmente.
    luiz: - (Vai se acalmando lentamente) O precioso! Su..mi..u!!!
    LÚCIO: - Se esgranhar agora não vai adiantar.É manter a calma!
    luiz: - Cal ama demais é vício! Algo tem de ser feito.
    Lúcio: - É o que penso também.Mas,o que? Agora está feito,está!
    luiz: - Se não me arrastasse pra aquele meio de malucos.Nada disto tinha acontecido.
    Lúcio: - Vem não! Até que gostava.Ria feito uma hiena.
    luiz: - Amanhã é o dia da revista do patrão.O que vamos dizer a ele?
    LÚCIO: - Nada! Ele entra como sempre.Verifica,vê o fato.Depois...nos manda pra guilhotina.
    luiz: - Eu tinha de te acompanhar!!(Lúcio vai medindo com os olhos os canto e andando com as mão para trás).
    LÚCIO: - Quem veio...entraria por aquela porta.Outra entrada não há.Se ao menos tivesse uma pista? Um sinalzinho só!
    luiz: - De tão cauteloso,me falta...se não tivéssemos ido contar piadas.
    LÚCIO: -Chorar não adianta.Manter a calma é o melhor remédio no momento.
    luiz: - É fácil falar,quando não é o seu que está na reta.
    LÚCIO: - Isto é você quem diz.Para o Patrão não há acepção.Os dois é que são repousáveis.
    luiz: - Malditos minutinhos desperdiçado....quem teria entrado aqui?
    LÚCIO: - Uma coisa eu sei.Planejaram tudo. Senão o Precioso estaria lá no seu lugar de sempre.
    luiz: - Com tanta coisa pra roubar.Ouro,prata.Foi escolher logo o Precioso do Patrão.
    LÚCIO: - É o que eu digo.Foi de plano feito.Alguém que só queria mesmo o dengo do Patrão.E conhece todos os nossos passos.Isto conhece!
    luiz: - Amanhã!!!Amanhã quando o sol entrar por aquela fresta(Aponta na direção).É o último minutos de nós dois.
           (Os dois de exaustos,caem no chão um pra cada  lado)
     

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    (15/04/2008 - 15:05)

    CENA 3

    by camuccelli

     ( Dois soldados estão tomando nota.Samir mostra à eles todos os cantos e o que lhe aconteceu vai fazendo relato).

     SOLDADO I: - Um estava parado ali na frente da porta,é isto?
    SAMIR: - É como nós disse pro senhor.O que parou na frente da porta,não deixou ninguém entrar.
    SOLDADO II: - Mas o senhor disse que estava sozinho na hora do roubo?
    SAMIR: - O que é! Os senhores estão  aqui pra me confundir?Se nós tá dizendo que foi assim.Assim foi.
    SOLDADO I: - O senhor  está nervo.É assim que precede as investigações.Temos que colher o máximo de provas,senão,como saberemos o certo.Concorda! O senhor tinha acabado de fazer as compras,certo?
    SAMIR: - É isto! Levaram tudo que eu tinha comprado.É,a gente re-põe as mercadorias,senão a venda não é venda.Sem mercadoria,nós não pode continuar a vender.
    SOLDADO II: - Até ai entendemos.O que não entra, e´os dos dois estarem semente os dois.O senhor disse isto não disse? Não tinha ninguém mais além dos dois.Como é que carregaram as compras?
    SAMIR: - Com o caminhão deles.Dois entra,outros fica lá do lado de fora esperando a hora de entrar. É assim que funciona.
    SOLDADO I: - Como sabe que funciona assim? O senhor os conhece então?
    SOLDADO: - Está muito esquisito esse roubo.O senhor disse que adormeceu. Lhe bateram!
    SAMIR: - Já disse, foram lá dentro.Pegaram um copo com água e me deram.Eu estava muito nervoso.Acho que puseram alguma coisa pra eu dormir.
    SOLDADO II: -Gentileza!! Além de levar toda a carga,distribui gentileza!
    SOLDADO I: - Tá meio sem rumo isto aqui!
    SAMIR: - Sem rumo? Tá não senhor! Sei muito bem o que é o certo!
    SOLDADO I: - Come é mesmo o nome do senhor (Examina a prancheta que trás na mãos)? Ah,Samir Al Alsair.Então seu Samir al Alsair.O que o meu colega quer dizer...pra gente agilizar a parada com mais agilidade.Tem de rolar um troco.
    SAMIR: - É de agilidade que nós precisa.Traduza isto para o português.
    SOLDADO II: - É o caso d'uns dois ou três paus só.
    SAMIR: - Quanto é isto na prática?
    SOLDADO I: - ( Chama o colega num canto e conversam).Tá ficando doido.Que espantar a lebre?( Voltam para Samir)
    Deve dar uns dez por centro do valor.Isto é! No valor da carga sumi da.
    SAMIR: - Endoidaram é? Quer me tirar de nós o que nós não tem? Respeite o meu direito de cidadão. Eu pago os impostos nesse país.
    SOLDADO I: - (Chama de novo o colega no canto) Esse ai é osso duro.Isto pode dar cana.A gente disfarça,chama o homem noutra conversa e encerra a parada.(O soldado II concorda franzindo a testa)
    SAMIR: - Como é! Vai ficar ai de segredinho até quando? Nós tem serviço pra fazer!
    SOLDADO I: - O senhor está com sorte,senhor Samir Al Alsair.Devido ao caráter do miliante,e da vigência da situação.Chega-se ao descanso final.Ou seja, é tudo feito sob os lindos olhos da lei.
    SAMIR: - Que fora da lei não há salvação.(Os soldados rabiscam alguma coisa na prancheta e saem em seguida.Samair se sentindo aliviado.Vai até a porta,fecha-a.Depois volta nos fundos da venda.Vem de lá com o pacote de dinheiro nas mãos. - Alá! Ainda bem que no dinheirinho da dona Aser,ninguém tocou.(Começar a fazer um tipo de ritual) Por que Alá? Como foi fazer isto com nós? Primeiro manda os ladrão,depois manda outros piores.Que faz nós agora?(Tem um pouco de atrito consigo.Reflete e conclui).Nós pega emprestado com a dona Aser um pouquinho desse dinheiro.Compra outras mercadorias.Assim nós resolve a situação da venda. Segunda-feira,nós resolve tudo.Ah,Alá! Parece que tudo foi feito do mal pro bem.(Samir entra sorri dente e confiante) 

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    (15/04/2008 - 14:58)

    CENA 4

    by camuccelli

    (Luiz  se levanta,dá uma espreguiçado,olha em volta,sai em direção à porta.Pega a chave,abre-a.Volta cabisbaixo e acorda Luiz)
    LÚCIO: - Acorda Luiz! Vai dormir a noite toda é? Vigias são pagos é pra vigiar,não pra dormir.Acorda!
              (Luiz,acorda meio com preguiça)
    LUIZ: - Já amanheceu?
    LÚCIO: - Graças a Deus não! Pra nós,é bom que não amanheça nunca mais.
    LUIZ: - Vou colocar um pouco de água nas mãos pra lavar os olhos.Acaba com o sono sabia?
    LÚCIO: - Se preocupe não,de amanhã em diante...não acorda mais.Esta preocupação lhe parecerá sem valor.Se é que vai precisar dela lá pra onde vai!
    LUIZ: - (Vai até o banheiro.Volta com o rosto molhado) Já que falou nisto.Enquanto me lavava os olhos.Me ocorreu um fato do dia.Quem lhe deu o dinheiro pra comprar o terreno da dona Aser?
    LÚCIO: - (  Não esperava aquilo) Como soube disto?
    LUIZ: - A Dona Aser me contou.Alias,queria saber com quem deixaria aquele dinheiro tudo.Um bom pacote de notas.Eu não me manter manter no meu domínio tamanha quantia de grana.Indiquei o senhor Samir.Ele gosta de ajudar todo mundo.
    LÚCIO: - Mas logo samir!
    LUIZ: - Foi o melhor no momento que me lembrei.A questão é:de onde saiu o tal dinheiro?
    LÚCIO: - Do banco.De onde mais sairia?
    LUIZ: - Quem sabe não seria da venda de uma preciosidade.
    LUZ: - É loucura pensar assim.Tempo eu não teria pra tal façanha.
    LUIZ: - Vi varias vezes as suas saídas.No momento,achei normal.Agora vendo do lado oposto,caio na real.Começo a achar...(Ele não o deixa completar).
    LÚCIO: - Se a humanidade não achasse tanto.O mundo não teria guerras,por exemplo.A vida era mais simplificada.
    LUIZ: - (Concluí) A coroa estaria intacta.O nosso valioso metal, estaria no seu lugar.Pode contar comigo.A gente é, amigo.Diga o que fez.Assim evita duas mortes numa noite só.
    LÚCIO: - Ai tem a razão.O teu é o mais importante.Salva-se a luva e fende-se os dedos.Pode espremer,enjaular.Não direi o que não pode ser.De forma nenhuma.
    LUIZ: - Assim que o patrão entrar por aquela porta.Direi a verdade.Salvo o meu dedo,se é o quer saber.Culpa não levo.
    LÚCIO: - Samir!!! O diabo é capaz de sumir com o dinheiro da pobre! (Pensativo) Que disse?
    LUIZ: -  Um pacote daquele porte,não aparece do nada.De algum lugar saiu. Alguma coisa vendeu pra adquiri o tal terreno.Me livro...não caio nesta noite não.É o álibi que tenho.
    LÚCIO: - Prestou atenção? Até agora só fez reclamar.Não parou um segundo só pra ouvir o meu lado.Que te importa de onde saiu o dinheiro? Era meu! A mim interessa,só a mim.Dou-lhe explicação se me aprover dar.
    LUIZ: - Tem um porém! O dia não espera as nossas resoluções.Tem hora pra tudo.O sol tem seu turno certo.Não atrasa.Com,ou sem explicação,vamos...vamos não,eu nada comprei.Vai morrer sozinho,eu não o acompanho.
    LÚCIO: - Acompanha sim.
              ( Dá-se alguns segundos de silêncio.Apenas pra pensar um pouco mais no ocorrido.Os dois andam de um lado a outro,tentando buscar saída pro fato ocorrido ali)
    LUIZ:-Ao invés de terreno.Não teria sido de melhor aproveitamento um seguro de vida?
    LÚCIO: - Quando se tem o motivo da causa de morte sim.No nosso,o imprevisto é mais forte.
    LUIZ: - A sua mulher ia agradecer.A família com o futuro garantido estaria.Além do dinheiro angariado com a venda do objeto do furto.Tinha o seguro de vida, pra bancar a farra.Devia ter pensado melhor.
    LÚCIO: - Já disse que não roubei nada.Essa conversa já começa a me encher.
    LUIZ: - Convença-me do contrário então.
    LÚCIO: - Nada posso fazer.Sei que comover o seu coração com explicação curtinha,devia ser o mote.Seria o relatório mais sensato.Esse gostinho não posso lhe dar.
    LUIZ: - Que amigos deste-me Deus!Um compra um bem péricivel.Depois disto,fica se achando.O outro,acha que engana,fazendo negócio escuso.

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    (15/04/2008 - 14:56)

    CENA 5

    by camuccelli

    Samir tinha acabado de arrumar as poucas mercadorias que restava na prateleira,quando o jovem entra na sua venda.O mesmo Jovem do inicio).

    SAMIR:-Se vem buscar mais bucho de bode pra sua mãe.Pode dar meia volta.Olha nas prateleiras.
    JOVEM: -Ih,né isso não! Vim por que tão dizendo no bairro, que dona Aser,antes de sumir,o lugar que esteve foi aqui.Não foi?(Samir para o que fazia,olha assustado para o jovem)
    SAMIR: -O povo diz o que?
    JOVEM:-Isto que eu disse.O senhor não está sabendo?Desde sexta-feira ninguém vê a dona Aser.Mas,uma pessoa jura que viu ela sair daqui.Depois sumiu.
    SAMIR:-Acredita que eu sei?Dona Aser sai daqui e some.Eu sei então?
    JOVEM:É,mas,tem gente diz que está morta.A coitada mora sozinha,  todo mundo sabe. Outros dizem que sentiu um cheiro forte passando diante da casa dela.Mas...(Samir corta angustiado)
    SAMIR:-Tem cheiro de morte na porta da casa de dona Aser,tem?
    JOVEM:-Cada um diz uma coisa.Sabe como é,uma pessoa some.Logo a dona Aser,uma velhinha tão comunicativa.Pra mim está morta lá naquele mausoléu.
    SAMIR:Nervoso e confuso) Falaram mais o que?
    JOVEM:-Nada,que mais iam dizer? Fatos são fatos.E os fatos dizem por si.
    SAMIR:-Pode ser mentira.Conversa de gente sem o que fazer.
    JOVEM:-Não,esse tipo de coisa não.Quando o povo fala,tem sempre um que de verdade.
    SAMIR:-Acho isto não.Olha aqui garoto,nós tá é preocupado com o que levaram de nós.Cada um que resolva os seus problemas.Pode me dar licença,já que nada vai comprar.Dona aser tem parente que cuida dela.
    JOVEM:-Nossa seu Samir.Vim na maior.Achei que o senhor também gostasse de dona Aser.
    SAMIR:-Al Alfair,pra você! Al Alfair.Gosta nós gosta.Agora pode ir,nós já sabe da novidade.Fofoqueiro!(O jovem sai cospindo fogo Samir anda de um lado para o outro) Agora o senhor exagerou.Primeiro,manda aqueles ladrões limpar a venda de nós.Trás a dona Aser aqui com este dinheiro todo.(Aponta para dentro)Quer quer o senhor agora hem Alá?Botar nós de conta a parede?Fuzilar nós com sentimento? Não, o senhor não pode ter matado a coitada.Por um lado é nós o herdeiro deste...Ah,Alá não deixa nós cair em tentação.Se alguém descobre? E o cara que comprou o terreno dela?Ele sabe  do dinheiro.Vão dizer que ela foi assaltada.Nós não pode sair por ai gastando,vão pensar que nós roubou Todo mundo sabe que nós está sem dinheiro.Que nós foi....que brasa o senhor coloca nas mãos de nós.Atado,nós nada pode fazer.Ah,Alá! Ah,Alá!(Cai de joelhos no chão).

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    (15/04/2008 - 14:43)

    CENA 6

    by camuccelli

     Luiz,está andando de um lado pro outro.Ora assenta,ora anda.Esfrega as mãos.A razão,vem da demora de Lúcio,que saiu para comprar o lancha e não volta de imediato).
    LUIZ: - Fugiu! Ele fugiu! Fui um imbecil! Eu é quem devia ter indo comprar o lanche.E...quando eu voltasse? Que direi eu ao patrão, quando entrar por aquela porta? ( LÚCIO chega tão de mansinho,que parecia um gato andando em cima de tapetes fofos)
    LÚCIO: - Que foi? Que cara é essa? (LUIZ,não sabia se ria,se gritava,ou se chiava)
    LUIZ: -É só nervosismo mesmo. trouxe tudo?(LÚCIO,trazia uma sacola, em cada uma das mãos)
    LÚCIO: -Pão,mortadela e minalba.
    LUIZ: - É isto que a gente come hoje? Pão,mortadela e minalba?Isto não dá sangue gente!
    LÚCIO: - É o que pude achar.O supermercado fica muito longe.Além do mais é domingo hoje.E, é tarde tarde.
     LUIZ: - Pão com mortadela! É o fim da picada!
    LÚCIO: - Pra última refeição d'um cristão.Ao menos lá nos países aonde têm a pena de morte.O moribundo,tem na sua última refeição,aquilo que quiser comer.Ai o sujeito,que vai mesmo morrer.Pede coisas que nunca havia provado.
    LUIZ: - Mas pra gente não.É pão com mortadela.Imagina eu chegando lá no quinto andar,um amigo meu está lá.Não o vejo a muito tempo.O coitado morreu faz década.ele pergunta pra mim.O que comeu na sua noite de infortúnio?Respondo...(CORTANDO)
    LÚCIO: - Chega desse assunto chato.Essa repetição nojenta. ( Luiz assentou-se no chão.Ficou observando,por muito tempo o teto.Lúcio por sua vez,fica parado olhando as sacolas e comendo o sanduíche.Luiz pega um e o guaraná com cara de nojo e come também. Depois,de um só gesto,se levanta.Vai até o corredor.Abri a porta,entra.Luiz continua a olhar para o teto.Ouve-se o tilintar de um aparelho celular.Lúcio,sai correndo coma as mãos molhadas.Abri uma das sacolas.Pega o aparelho e atende):- Foi o que eu disse.É domingo sei,só que o patrão ainda não deu as caras aqui.Como vou fazer isto estando aprisionado neste...?Só pode ser amanhã.Agora?..Isto não é possível! Tem,tem,tanto ele quanto eu(Luiz neste instante está aparelhado com Lúcio pra ouvir a conversa)um não pode sair e o outro ficar.Daqui a pouco o patrão chega,a gente sai.Sim,resolvo tudo numa boa! Pra ti também!(Desliga o telefone)
    Luiz:-Não é mais proibido trazer celular pra cá não?(Lúcio,símplimente dá uma olhada.Volta ao que estava fazendo.Sozinho,Luiz começa a fazer insinuações). São as palavras certa.Ao que tudo indica foi ele mesmo.Sim,foi! O telefonema confirma.O patrão foi bem claro,quando diz que não permitia o uso de aparelho celular na hora do trabalho.atrapalha meu Deus,atrapalha! como vou ficar? Dúvida não há.Se é um de nós dois...o telefonema,as palavras cortadas ao meio.Tudo é muito esquisito.A resposta é uma só.Alguém roubou.De mim tenho a certeza...(Quando ia completar a frase,Lúcio chaga com um sorriso nos lábios).
    LÚCIO: - Vou me deitar um pouco aqui.Tomei uns comprimidos pra aplacar a dor de cabeça.Se eu dormir não me acorde tá.Só vou ver quando o patrão chegar.
    LUIZ: - Vai me deixar só de novo.Fomos contratados para trabalhar,não pra dormir.
    LÚCIO: - Me deixa tá,a vida já me amolou o bastante.Que sonolência!(Abri a boca) Este remedinho é mesmo por reta.(LÚCIO dorme.Muito tempo depois,Luiz se levanta meio sonolento.Sacode o colega.LÚCIO não dá sinal de vida alguma.Luiz coloca a mão no pulso dele,o pulso está parado.O coração não bate)
    LUIZApavorado)Desgraçado,desgraçado,desgraçado!!!(Luiz sai correndo até atravessar a porta do corredor.Volta chingando,remexe os bolsos de Lúcio)Nada.Este maldito não deixou um só comprimido.(Acha uma folha de papel.Abri-a e lê:
                               A CARTA:
      Amor,o dia ai fora deve está comendo um lindo pedaço de nuvem.Os pássaros ainda deve fazer arribação.Nós aqui...eu e Luiz,como é do seu conhecimento.fazemos o teste pra ver se continuamos aqui tomando conta do erário.Hoje é domingo de tarde.O patrão ainda não apareceu.
      Sabe querida,é duro ter que dizer,mas não passei no teste.Ontem,quando chegamos(O ontem que me refiro foi na sexta-feira),fomos no barzinho logo em frente daqui.Um cara começou a contar uma coisas engraça das,perdemos o rumo do tempo,que passou como um raio.Chegando no salão,no lugar que a gente guarda as coisas.Vimos que a porta do horário estava aberta.Sumiu uma das peças do patrão.O Luiz acha que fui eu,por causa do terreno que você comprou.Contaram pra ele.Hoje saí pra comprar uma coisas para comer,já que o patrão ainda não deu as cara aqui.aproveitei e comprei alguns comprimidos.Tomei,melhor é a morte do que apodrecer na prisão:APODRECER!!!Da vontade de rir.Levo a culpa.O Luiz fica livre e eu levo a culpa tente entender.ADEUS!!! Dá pra entender? Luiz coloca as mãos no rosto.
    LUIZesgraçado! (Remexe os bolsos) Nenhum comprimido.Egoísta! Quem vai acreditar numa coisa desta? Ninguém compreenderá.(Luiz sai da sala.Entra pela porta que está aberta de contínuo.Volta com uma corda amarrada no pescoço.Nas mãos trás uma cadeira.Coloca a  cadeira debaixo de uma viga de aço que se sustentava na parede perto de uma entrada bem pequena,por onde os raios do sol entrava.Sobe na cadeira.Joga a corda sobre a viga de aço.Fica nas pontas dos dedos.É um a dificuldade ardida,doida.Quando percebe que não suporta mais,se joga empurrando a cadeira para o lado.Fica ali dependurado o corpo de Luiz a balançar. É o outro dia.Ouvi-se assovios,ranger de portas.Chaves entrando em fechaduras.Um foco de luz ilumina um homem que entra com um molho de chaves seguras nas mãos.
    SAMIR:- Que escuridão aqui neste lugar( Ele ainda não vê os corpos)?O silêncio parece vindo do fundos dos sepulcros.Esses meninos escondidos dorme.E dorme em que parte hem?Pra o senhor ver Alá,nem bem passou pelo teste,já estão dormindo no serviço.Olhei no quarto do corredor,lá não tem nenhum dos dois.Aqui também,não vejo.Ah não ser...(Para pasmo quando se depara com o corpo esticado de Lúcio)não disse,dorme igual a uma pedra.(Vai balançá-lo,quando vê o corpo de Luiz dependurado a balançar) Que é isso?(Não entende,olha uma olha o outro.Desci de sacudir Lúcio.Aí vê a carta.Pega-a lê em voz alta) Viu o que fez você pra nós? Não bastava só a dona Aser?Tinha que me fazer ver isto também?Da dona Aser a novidade foi boa,agora isto?Alá,ah Alá! Pra que fês isto comigo? A velha da dona Aser deu numa de adoecer,me deixando àquele dinheiro todo.Ainda bem que hoje veio o sobrinho dela dizendo pra nós que era pra depositar o dinheiro no banco.Nós passou lá no banco,depositou o dinheiro.Depois nós lembra que osses pobres coitados tinha ficado esquecidos aqui.O senhor sabe que nós tem a mania de antes de efetivar o camarada,nós põe a prova.Mostra todo o nosso patrimônio pro candidato,fala pra ele que tem de olhar de vez em quando tudo que tem lá dentro.Aí nós vem pela entrada secreta que só eu e o senhor conhece.Pego o objeto que não pode ser roubado.Se no dia seguinte o camarada conta pra nós que sumiu alguma coisa.Este é um bom empregado.Se não conta,este nós não quer.É um mal empregado.Nós não sabia que fosse ter esse fim os coitados.(Amir passa a mão na cabeça.Olha pra um e para o outro.Rasga a carta em pedacinhos,coloca na boca e mastiga.Depois cospe no chão).Agora nós tem de chamar as famílias.Eles toma as providencias.Pois é Ala,até a carga da nossa venda o senhor devolveu pra nós.Não deixou a dona Aser ficar sem o dinheirinho dela.Agora esses dois...o jeito é chamar mesmo a familia de cada um.

                                       FIM

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    (11/02/2008 - 15:14)

    O GAZOFILÁCIO

    by camuccelli

    O GAZOFILÁCIO

     CENA I

      E O CULTO...TINHA ACABADO DE ACABAR.ENQUANTO O PASTOR DAVA SEUS ÚLTIMOS RETOQUES .UM SUJEITO,BEM APARENTADO,ASSENTADO NA PONTA DA FILEIRA DE BANCOS, OBSERVAVA-O

    PASTOR:_....E que o SENHOR te guarde;O SENHOR ponha a mão sobre ti;Que O SENHOR levante os olhos sobre ti e te dê a paz.TODOS SAEM DA IGREJA,EXETO O SUJEITO DA PONTA DA FILEIRA.

    ZÉ:_UM SUJEITO,QUE SE CHAMA,ZÉ_.Bom,muito aproveitado o culto.

    PASTOR:_É visitante,não é?

    ZÉ:_Quem? Estou de passear.

    PASTOR:_Nós aqui gostamos de visitantes.É de que igreja?

    ZÉ:_Boa a igreja do senhor.

    PASTOR:_É do povo de deus.Só administro.

    ZÉ:_Cuida com muito Zêlo,não é?...Aqui cabe a minha oferta.

    PASTOR:_É a sua primeira vez? Entendo!... Mas se quer ofertar pra casa de deus. se sinta acanhado não.Qualquer quantia nos cai bem.Sabe como é...O senhor se agrada de quem oferta.

    ZÉ:_Entendo!!!Senão o...a casa do senhor é muito pobre né?_ DEBOCHADO_

    PASTOR:_Queira perdoar-me meu jovem.Tenho que fechar a igreja...Poderá dar a sua oferta noutra hora.

    ZÉ:_É mesmo! Não é por causa do feriado de amanhã...Quem sabe pelo medo...não, o senhor está desdenhando a minha oferta sem antes saber qual é?

    PASTOR:-Fiz muitos cultos hoje.Estou precisando me recompor...Se me der licênça!

    Está mesmo na hora.Volte outro dia...Vou ter mesmo que ir...fechar a igreja.

    ZÉ:_Pra que? O senhor nada tem pra fazer hoje.

    PASTOR:_ MEIO ASSUSTADO MAS,FIRME E CALMO. Engano seu.Eu não paro.

    ZÉ:Ah!... As interminaveis visitas.

    PASTOR:_Todo bom pastor dever vê como anda as ovelhas.

    ZÉ:_Principalmente as gordinhas.Se bem que andam diminuindo muito...pra não engordar.Mas,ainda têm umas tolas.

    PASTOR:_Estou entendendo   não...Vem como o vento de inverno;Conhece nada de trapalho pastoral.Quer me desafiar com esta conversa?

    ZÉ:_Engano do senhor...Conheço muitissimo bem.Admiro o trabalho do Pastor.Tanto que aqui estou.

    PASTOR:_Já sei!É oração que está querendo.Devia ter dito logo_VAI COLOCAR AS MÃOS NA CABEÇA. ESTE REFUGA.

    ZÉ:_Tire isto de cima de mim.

    PASTOR:_O que queres então?

    ZÉ:_O senhor,pastor._QUE FICA MAIS CONFUSO AINDA_

    PASTOR Quer o que de mim?

    ZÉ:_Quero nada .Ninguém quer aquilo que por lei já é seu.

    PASTOR:_Mas,se é din...quero dizer. Estamos....Olha aqui seu...eu fui comprado pelo...ai,uma tonteirazinha repentina!

    ZÉ:_Senta aqui pastor...Pecado não é mesmo? E é bom o preço.

    PASTOR:_Esta igreja é santa.Foi consagrada por deus.Tem sujeira aqui não!

    ZÉ:_É boa a motivação.Uma assim, supera no seu valor.Eu compro!!!

    PASTOR:_Estou tonto mesmo. A mente confusa!

    ZÉ:_São seres frágeis.É,feito pingo d'água espatifando no chão.E,contra o vento nas frestas da erosão.

    PASTOR:_Será que tomei algo que fez mal?

    ZÉ:_Em que lugar está escrito,que crianças devem pagar dízimos?Dar ofertas?

    PASTOR:_Nem podem.

    ZÉ:_Mas,para tecer a teia ,temos que fazer.É contribuição como outra qualquer.Criança também paga dízimo sim.

    PASTOR:_Isto é roubar a casa do senhor.É,ilegal.

    ZÉ:_Desde que me contemple,como as luvas,que saciam os dedos.Nada ... é ilicito.Nada é ilegal.

    PASTOR:_O senhor me pega de surpresa.Estou sem condição de...dê-me tempo....É só o tempo de me recopor.

    ZÉ:_ É o que não temos.O tempo forma crostas.A gente acaba roendo unhas.

    PASTOR:_Sem tempo nada se pode fazer....Estou me sentindo indisposto,não quer voltar noutra hora?

    ZÉ:_Está se saindo muito bem.Não quero tomar o lugar da razão.Corre tudo bem demais até.

    PASTOR:_Tem algo estranho aqui.Não sei o que ,mas que tem,tem!

    ZÉ:_Pode ser...o entusiasmo! É a hora dos negócios! Está perfeito! É um negócio, rentavel e plural._ELE DA UMA VOLTA EM TORNO DO PASTOR.OLHA,VÊ O GAZOFILÁCIO.PÕE AS MÃOS,NAS COSTAS DO PASTOR._Vê,ali?

    PASTOR:_O Gazofilácio?

    ZÉ:_ É seu.

    PASTOR:_É não,é da igreja!

    ZÉ:_Fiz pergunta não...Tô dizendo que é seu! Estou dando mesmo.É seu! Dando,como quem dá algo à alguém.

    PASTOR:_ Deve ter uma boa quantia ai dentro.Hoje teve mais fieis do que de costume.Foi o dia do dízimo.

    ZÉ:_ Então meu chapa! pega, que é teu...Doravante,seremos íntimos e tal. Vamos entragar nas tua mãos,coisa melhor.Uma outra igreja.Melhor,maior,e real.

     

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    (11/02/2008 - 15:10)

    CENA II

    by camuccelli

     

     

    --O PASTOR SAI POR UMA PORTA.AZ ENTRA POR OUTRA.

    DEVO LEMBRAR,QUE O MESMO ATOR,FAZ OS DOIS PAPEIS-

    AZ:_Olá traira!

    ZÉ:_AZ!!! Faz o quê aqui?

    AZ:_ O mesmo.

    ZÉ:_Tá vindo de que lugar?

    AZ:Do confisco.

    ZÉ:_Ah não! Foi um trabalho estrategicamente planejado.

    AZ:_Caro traira,podemos desativar arapuca diante dos teus olhos.

    ZÉ:_Não vai intimidar . Já tem próblema demais pra mim.Quero passar.Prometo recompensá-lo.

    AZ:_Recompensar?... Incluir  a persuasão?...O  que fez ao pastor? Vi com agiu.

    ZÉ:_Eu persuadindo?!..Foi bom dizer...viu,como não é mole?...Inda bem que viu e ouviu.

    Aquele Pastor é braço duro.Queria porque queria,me forçar a satisfazer desejos seu?...,Não...

    não concordei.Meu trabalho não caminha por esse lado.Mas,

    esse Pastor!...Como engana bem!

    AZ:_Da sedução?É bom nem falar!

    ZÉ:_Como sedu?...eu é que não me viro não. Ainda bem que esteva ai.Pode servir-me de testemunha.

    AZ:_Acha mesmo que?..Meu caro traira!!!

    ZÉ:_É assim mesmo.O engano é capaz de corruper.Saem do artificio,para cair,no artificial.

    AZ:_Estou comovido.Que gênero prefere?Drama,ou comédia?

    ZÉ:_Não entendeu.Está,trocando tudo.Esse Pastor  se faz de inocente,não vê isto?

    É bom fazer alguma coisa pelos pecadores,soberbos e... mas,se fazer de inocente,é demais.

    AZ:_Olha bem pra mim traira.

    ZÉ:_Por favor!...A..gente se vê por ai.

    AZ:_Quantas vezes vem...tem vindo aqui?

    ZÉ:_É sssó..on... ontem!!E..Ho..je!

    AZ:_ Tá tremendo!

    ZÉ:_Quer o quê? Se digo a verdade,resume,se minto,resume.

    AZ: _  Fala a verdade.Ha,me esqueci,não sabe o que é isto!

    ZE:_Mas acabei de dizer isto...a verdade.

    AZ:_Do  furtar almas?

    ZÉ:_É,como furtar objetos.

    AZ:_É sempre sem a culpa?

    ZÉ:_Vai agora inocentar esse...esse filho... de Adão.

    Vendeu suas ovelhas por um punhado de sucesso.

    Inda diz que são ovelhas remendadas.Queria,eu dei...dei,

    não,vendi.E é próspera a igreja que pediu.

    É assim que se permuta meu caro.

    Eu tenho,ele quer,vendo cobrando preço justo.

    AZ:_Justo?Jogando as almas deles no contra o fogo.

    ,jogou com o seu jeito malicioso de jogar,trapaceando.

    ZÉ:_Tá melado demais esse discurso seu.  Quem  vivi no engano,não sou eu.

    Não me movo pela cobiça, ou pela inveja.Uso,fomentação.Aumento a fome, 

     pedem sustento eu dou.

    Não é minha a escolha,é deles.

    AZ:_Usando veneno,não é? A ti é permitido ultrapassar os limites?

     Passar por cima do arbítrio deles?

    ZÉ:_É só pra amaciar.Como a ferruem que roi o ferro.

    Só,pra amaciar!...Não é,mas a escolha é sempre deles.

    Dou somente o empurrão.caem por conta própria.

    AZ:_Tem piedade?

    ZÉ:_Quem me dera poder ter. Torturar não não torturo.

    Preciso deles,como precisam de ti.

    AZ:_E do Gazofilácio?

    ZÉ:_Foi de brincadeira. Ele acreditou?

    AZ:_Brincadeira hen!

    ZÉ:_É que,sou um brincalhão.No fim me divirto bem.

    AZ:_O que quer em troca?

    ZÉ:_ De que?...Pode ser que o Gazofilácio não seja uma soma justa.

    Depois do tempo escorrido.Das horas de aflição.

    Do momento final.Quem sabe!...

    AZ:_É ouro para nós.Quem sabe nem interessa tanto a ti.

    Diga o preço.

    ZÉ:_Ai,a coisa toda se afirma.

    AZ:_A prómissoria fica comigo.

    ZÉ:_pró...mis..soria? Tá fando do que?

    AZ:_Sabe muito bem do que? Está no seu poder.

    ZÉ:_Vai agora bisbilhotar vidas alheia?

    AZ:_Quem gosta de flores,se precave dos espinhos.

    ZÉ:_Bobagem!...Não é tão importante assim.

    Nem correria atras d'um pingo no meio do nada.

    AZ:_Você não entende o verdadeiro valor do prazer tchau!

    _VAI SAIR,MAS ELE O DETÉM_

    ZÉ:_Mostre o que é pelo menos._

     

     

    AZ,DE LONGE,ABRE A BOLSA,RETIRA DE DENTRO UM ROLO,MOSTRA-.

    Quero examinar primeiro ora._AZ,VEM,ENTRGÁ-O O ROLO.

    ELE LHE DÁ A NOTA PRÓVISORIA,ELE SAI RÁPIDO.-

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    (11/02/2008 - 15:05)

    CENA III

    by camuccelli

     

     

    É PASSADO MUITO TEMPO.NA MESMA IGREJA.NO TÉRMINO DO CULTOPASTOR:_Que o SENHOR te guarde;O Senhor ponha a mão sobre ti;O Senhor levano rosto sobre ti,e te dê a paz._O PASTOR,VEM EM DIREÇÃO AO JOVEM QUE O OBSERVAVA QUANDO ESSE PREGAVA A PALAVRA._Visitante,foi pra ti a menssagem.

    AZ:_É!

    PASTOR:_Quando nos toca,Deus está dizendo exatamento o que diz.Tem uma menssagem do coração de Deus pra você.

    AZ:_ É.

    PASTOR:_Sinto que a mente do jovem não pára no lugar.Está se confundindo.

    AZ:_Isto quer dizer o que?

    PASTOR:_A nossa reunião é feita por esta razão.Detectar a semente do mal.Arrancar essa semente maligna,restaurar a ferida.

    AZ:_É mais culto não? Agora se chama reunião?

    PASTOR:_Uma coisa,nada tem há ver com a outra.Se culto,culto.Resultados iguais.

    AZ:_E DEUS?!

    PASTOR:_Está no negócio!Sem ele o resultado,jamais seria o mesmo.

    AZ:_Então Deus,é assim? O senhor, o conhece?

    PASTOR:_O filho conhece bem quem é seu pai.Senão,que pai seria esse,que não reconhecesse o filho seu?

    AZ:_E o senhor,fala com Ele?

    PASTOR:_Tal como estamos agora.Ele está em mim,eu nele.

    AZ:_Mas,o senhor não disse o recado.

    PASTOR:_Disse sim.O jovem que não prestou atenção...A igreja hoje,tem mais opções.Membros que já falam línguas estranhas.É uma igreja mais próspera.Há unção vindo de todos os lugares.

    AZ:_Disse o Senhor!...Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos,e nem assim me ouvirão.De sorte que as línguas constituem um sinal não é para os incrédulos e sim para os que crêem.Se,pois,toda a igreja se reunir no mesmo lugar,e todos se puzerem a falar em outras línguas,no caso de entrarem sem indoutos ou incrédulos,não diram,porventura,que estão loucos?

    PASTOR:_É,tem toda razão.

    AZ:_Quisera que vós todos falássem em outras línguas;muito mais,porem,que profetizásseies;pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas,salvo se as interpretar,para que a igreja receba edificação.Agora se for ter convosco falando em outras línguas,em que vos aproveitareis.se vos não falar por meio da revelação,ou da ciência,ou de profécia.ou de doutrina?Dou graças a Deus.porque falo em outras línguas mais que vós.Contudo,prefiro falar no igreja cinco palavras com o meu entendimento,para instruir outros,do que falar dez mil em outras línguas.

    PASTOR:_Do mesmo modo...Mas,aqui,tudo tem sido com coidado e moderação.

    AZ:_Mas é falho.Por isto agora falo e dou testemunho no Senhor,que não mais vos porteis como se portam os gentios,na vaidade da sua mente.Escurecidos no entendimento,separados da vida de Deus pela falta de conhecimento dos seus corações.

    PASTOR:_O mandamento de Deus diz isto.

    AZ:_Ninguém vos iluda com palavras vãs;pois por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.Então não sejais participantes com eles.Porque antes éreis das trevas,mas agora sois da luz no Senhor;caminhai como filhos da luz.Porque o fruto da luz em toda bondade,justiça e verdade.Não vos associeis às obras sem frutos das trevas,mas antes rejeitai-as.Pois as coisas feitas por eles em oculto,até o dizê-lo é vergonhoso.Tudo,pois,que se manifesta é luz.por issoele diz:Desperta tu que dormes,e levanta-te dentre os mortos,e a luz brilhará sobre ti._DIZENDO ISTO,BATE NAS PALMAS DAS MÃOS.O PASTOR DESPERTA,COMO NUM CHOQUE REPENTINO_.Por isto,não sejais insensatos,mas entendei qual é a vontade do Senhor.E não embriagueis com vinho,onde há contendas,mas enchei-vos do Espírito;Falando entre vos em salmos,e hinos,e salmodiando ao Senhor,e cantando cânticos espirituais,nos vossos corações;Agradecendo sempre a Deus,submetendo-vos uns aos outros no temor de Deus.

    PASTOR:_Antes,estive como que estivesse dormindo.Foi o som da sua boca.As palavras saindo zumbindo feito necta nos meus ouvidos.Tinha a impressão de está ouvindo cachoeiras,e cantos ao longe.Era bom o som.

    AZ:_Está vendo isto aqui?_MOSTRA-O A NOTA PRÓMISSORIA_É laço!_RASGA-A.Agora estas livre do medo.Cuida para que não volte a cair novamente nas ciladas.

    PASTOR:_Não me lembro ter ouvido dizer o teu nome.

    AZ:_É importante não.Importa mais salvar vidas,e desprender almas de penas urdidas._DEPOIS DISTO,AZ SE VIRA E SAI_.

    PASTOR:_OLHA PARA O LADO_Naquele canto,tem um móvel precisando de reparo.O cochilo que dei serviu pra me manter descançado! Quanto tempo dormi?Pareceu-me ter uma eternidade pra reformar,e continuar sobriu.Quando a gente pensa que fez alguma coisa boa!...Há muito mais por fazer!

                                                                                            É ISTO AI!!!

                        O GAZOFILÁCIO:URNA, AONDE SE COLOCA O DINHEIRO DE DOAÇÕES DOS FIEIS. UM COFRIZINHO NAS PORTAS DAS IGREJAS.                                                     DE:CAMUCELLI


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    (21/01/2008 - 14:18)

    CENA VIII

    by camuccelli

    CENA VIII

     

    SÔ CHICO:-Eu jamais vi homem tão macho.

    EDVALDO:-O que não quero,é me casar.Que mal há no homem de não querer se casar Seu chico?Se...

    se o senhor tivesse desmentido quando ainda podia!Mas,não,

    o senhor dixou que o tempo comesse os defuntos.

    É água jogada em terra seca, nasce mais nada não.

    SÔ CHICO:-E de que adianta chorar?O que vem a ser a sua verdade divaldo?

    EDVALDO:-É uma dentro da outra.Se o roçada na hora da capina,não tiver de pronto.

    O milho,o feijão..e tudo que ali foi plantado, morre abafado pelo mato.

    E a terra já foi arada.Os marcos colocados.

    Tem nada mais pra fazer não.Tá feito,tá feito!

    SÔ CHICO:-Ocê tá mesmo é querendo me enrolar com essa conversa besta.

    O maldito que encontrou,deve de tá lá acoitado,num lugar qualquer.

     

    Já ví,que é ocê quem quer fazer o serviço.

    EDVALDO:-Não tô querendo falar disto.

    Querendo mesmo é voltar lá aonde tudo começou.

    No principio,da ven..(ELE INTERROMPE)

    SÔ CHICO:- Já não disse que era só de brincadeira.Acabou Divaldo,acabou!

    EDVALDO:-Essa brincadeira,que custou muito caro.Se eu mexer,remexer a terra,

    não vou botar de volta a verdade moída,dura e crua.

    SÔ CHICO:-Ocê é como um filho pra mim.É as pernas que perdi.

    Ocê é tudo que eu tenho neste mundo Divaldo.Sem a sua ajuda,

    eu não tava mais aqui.É muito importante pra mim

    EDVALDO:-É tarde! a sua vida foi deformada.a minha também foi.

    Mesmo se eu quisesse não ia poder voltar atras.a maldade já foi feita.

    Naquela mesma noite Seu Chico.Seu filho tinha saido

    (EDVALDO COMEÇA ACONTAR O FATO),da casa duma mulher casada.

    fiquei lá a espera dele por muitas horas.Ele chegou.

    Caminhamos e conversamos.Conversamos e caminhamos.

    Era do custume ele me encontrar ai pelo caminho.

    Aconselhei o moço a não ficar nesta de mulher casada.

    Ele não gostou.fui amaciando o moço,assim como se faz pra pegar peixe no ceveiro.

    Ou rolinha na arapuca.Ai ele caiu na minha armadilha.

    O resto o senhor sabe.

    SÔ CHICO:-(DEPOIS DE OUVIR,SUSPIRA CALDO)Me deu foi uma sede danada,assim d'uma ora pra outra.

    Ocê num pode me busca a água Divaldo.Tô c'oa goela seca,seca.

    (EDVALDO VAI ATÉ A COZINHA.VOLTA COM O COPO COM A ÁGUA).

    EDVALDO:-Agora isto daqui (RETIRA DO BOLSO ALGUNS PAPEIS ENQUANTO SÔ CHICO BEBE A ÁGUA)

    .O moço lá do cartório disse que é pro senhor assinar pra mim.

    Aqui diz que tá passando tudo aquilo que pertence ao senhor,pra mim.

    É tudo meu. Se não quiser assinar,tem importancia não.O dedão do senhor serve.

    SÔ CHICO:-Que estará fazendo meu filho que num chega?Pela hora que saiu já devia ter voltado.

    Viu ele hoje não Divaldo?EDVALDO:-Não sei;acaso,sou eu tutor de filho seu?

    SÔ CHICO:-É,a gente cria os filhos é pro mundo!Era do caso do cartório que tava me contando,né Divaldo?Confirma que a fazenda é minha.O maldito já foi enterrado.EDVALDO:-

    Se o senhor conseguir se livrar da onça esfomeada.É bem possivel.

    Estuciei tudo.Pensei cá comigo! Ponho Seu Chico na sua cadeirinha.

    Levo lá pra onde a onça está esperando pela comida.Deixo lá por um dia.

    Depois vou com alguns camaradas,como quem nada sabe.

    Esbarro com o corpo estraçalhado,de pescoço cortado.O senhor já assinou.

    Tá ai no papel a marca do dedão do senhor.Pronto!SÔ CHICO:-Então

    (Como quem está em trase),a lua ficará vermelha de sangue.Enterramos o finado.

    É nossa a fazenda.É só ocê pra pensar assim!(Edvaldo pega nas astes da cadeira,

    como quem vai conduzí-la pra dentro da casa.Retira uma navalha do bolso.

    Corta a garganta de Sô Chico olhando para frente.

     

                                       CAI O PANO

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